Independência a duras penas

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Cada vez mais distante da Opel, a GM desenhou aqui o Agile e o novo
Montana, que têm causado controvérsia pelas soluções visuais

Texto: Edilson Luiz Vicente - Fotos: divulgação

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Note como o desenho do conceito GPix é basicamente o mesmo do Agile, mas a atitude e as proporções trabalhadas de forma diferente causam uma impressão bem diferente, mais limpa, moderna e bonita. A região da tomada de ar do para-choque está limpa até demais.

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Os contornos das lanternas são bem harmoniosos com todo o desenho do carro. A parte inferior da tampa traseira com apenas um vinco, que termina na região inferior das lanternas, é uma solução mais limpa e moderna em relação à que foi adotada no Agile.

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A linha de cintura que sobe em direção à traseira, deixando-a alta, e o vidro de trás um pouco mais inclinado que o do Agile fazem bastante diferença na atitude e dão a sensação de movimento.

General Motors e Chevrolet. Esses nomes, tão importantes na história do automóvel e da indústria brasileira, em sua trajetória nos presentearam com verdadeiras jóias, cultuadas até hoje por milhões de fãs espalhados ao redor do globo. Como citado em análise anterior, no quesito estilo a GM sempre foi a mais conservadora entre as outrora três grandes de Detroit, mas isso de maneira nenhuma é uma crítica: essa característica do fabricante deu a ela ótimos resultados e a liderança mundial durante muitos e muitos anos.

Ser um pouco mais conservador ao desenhar carros não significa levar ao público estilos desagradáveis e mal resolvidos. Ao contrário: no caso da GM, ela sempre se aproveitou muito bem disso, com modelos elaborados com qualidade, com estilos adequados e nos momentos certos. De tempos em tempos, produziu carros com linhas que marcaram época, dessa forma conquistando uma gama maior de consumidores.

Automóveis com desenhos mais arrojados, ou até aqueles considerados obras de arte sobre rodas, geralmente vêm de fabricantes menores ou que atuam em segmentos específicos. As grandes indústrias vivem de grandes vendas. Não é seu foco produzir um estilo que possa causar polêmica e correr o risco de perder volume de mercado, pois o investimento é sempre muito alto.

Por essa razão é que existe um enorme contraponto: por um lado, os projetistas querem fazer grandes obras de estilo; pelo outro, a empresa precisa lucrar para se manter ativa. São muitos os fatores que determinam as decisões a serem tomadas e, quando elas são feitas de maneira e em condições adequadas, os resultados são ótimos — belos desenhos com excelente desempenho de vendas e valorização da marca. Quando não, raramente os resultados são satisfatórios. E quando por diversas razões as decisões não são acertadas, podem culminar no tipo de problema que a GM tem enfrentado nos EUA e que está custando muito trabalho a voltar aos trilhos.

A trajetória da General Motors no Brasil tem semelhança, por razões óbvias, com a da GM norte-americana. Embora sua história tenha sido escrita em grande parte com desenhos da Opel alemã (do primeiro Opala, extraído do Rekord, até o Vectra hatch, derivado do Astra europeu já fora de produção), a filial brasileira tem aumentado sua autonomia nos últimos 10 a 15 anos e, em parte desse período, o fez com méritos. Foram desenhadas aqui versões com linhas bem-aceitas, como as duas gerações do Corsa sedã, o picape Corsa e o primeiro Montana. Em 2000 apareceu o Celta, primeiro a ter toda a carroceria desenhada "em casa", e dois anos mais tarde a Meriva, feita em cooperação com a Opel. De lá para cá, o estilo dos lançamentos da marca no Brasil teve cada vez menor participação dos alemães.

Assim como os modelos desenhados nos EUA foram nos últimos anos duramente criticados, entre outras coisas, pelo que nos cabe analisar aqui — o estilo —, a filial brasileira também tem sido alvo de duras críticas por parte dos consumidores. E é nesse ponto que entram seus modelos Agile e novo Montana, que têm causado enorme polêmica entre os consumidores e entusiastas por automóveis e pela marca Chevrolet. Continua

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1) O tamanho da grade, embora controverso, não é o maior problema da frente, mas sim o tamanho e o desenho da tomada de ar inferior. A barra que divide a grade ficou bem larga, deixando o importante emblema — já pequeno em relação à frente — com a impressão de ser ainda menor.

2) Essa aba interna da coluna tão larga chama a atenção quando não deveria. Foi um recurso visual para que, quando o carro é visto de lado, o para-brisa pareça mais inclinado, como era no GPix. Isso acontece por ter a fábrica usado muitas partes do Celta no projeto.

3) Os faróis são grandes demais e têm contornos que não combinam nem com o carro, nem com o padrão Chevrolet. Até os detalhes internos estão sem harmonia e proporção. Para preencher o grande espaço restante em torno dos refletores dos fachos alto e baixo e das luzes de direção, foram criados detalhes de aparência discutível.

4) Esse "pegador de luz" e o vinco que o marca estão muito baixos, o que causa a aparência de frente caída.

5) Como a saia lateral já forma um "pegador de luz" logo abaixo do vão das portas, esse outro elemento — em geral usado para quebrar visualmente áreas grandes — não faz sentido em sua forma e posição. Somado às molduras laterais, o item deixa essa região com visual muito poluído e com cara de projeto antigo.

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1) Outro uso de um "pegador de luz", agora na tampa traseira. Assim como o da saia lateral (item 5 da foto ao lado), seu estilo ultrapassado não combina com o restante do carro nem com a proposta de modernidade.

2) O aplique da coluna traseira ("C") está aí para dar continuidade visual à área envidraçada lateral e conectá-la visualmente ao vidro traseiro, além de reduzir a sensação de peso da coluna um tanto larga. Visto por fotos e a longa distância, é interessante, mas de perto perde o charme, pois os vidros não são rentes à carroceria.

3) Os vincos das laterais são, em regra, aplicados para quebrar visualmente áreas grandes, criar uma característica diferenciada e até influenciar a atitude do modelo. É por isso que o termo usado para eles em inglês significa linha de caráter, expressão que resume muito bem sua finalidade. Nesse caso, porém, não fazem nenhuma das tarefas, de tão discretos que são.

4) O detalhe está aí para não deixar o para-choque traseiro liso e sem graça, mas não se parece com nenhum outro detalhe do carro e nem combina com nada.

5) A quebra no contorno das lanternas não combina com nenhuma parte do carro, pois cria uma forma retilínea, enquanto as caixas de roda são arredondadas. A solução do contorno das lanternas do GPix é mais harmoniosa.

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Data de publicação: 19/10/10

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