Desenho com sintonia global

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Dessa vez o Fiesta precisou ser concebido para a Europa e para os
Estados Unidos, desafio que a Ford encarou com competência

Texto: Edilson Luiz Vicente - Fotos: divulgação

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1) A abertura do para-choque ficou com boa proporção, o tamanho adequado e o contorno muito bem-feito.

2) Esse vinco marca o contorno da moldura do farol de neblina (item ainda não oferecido no Brasil), que ficou muito interessante. Adiciona valor visualmente e segue um alinhamento com os itens apontados no número 3.

3) Os dois detalhes servem para “quebrar” visualmente uma área tão grande como a lateral, formando um gráfico com o vinco que emoldura o farol de neblina — a grande sacada dos projetistas. O tamanho e a profundidade desses detalhes estão no limite máximo: se fossem um pouquinho maiores ou mais profundos, a aparência já seria prejudicada.

4) O espelho retrovisor ficou de bom tamanho e ser fixado na porta, abaixo das janelas, dá um toque de esportividade e modernidade.
 
 
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1) Os vincos mais altos do que o capô dão um visual esportivo e deixa o conjunto mais bonito, mas agrava a sensação de que o carro é muito alto.

2) Os vincos alinhados com os contornos internos dos faróis e com o rebaixo da placa de licença não fariam falta se não estivessem aí. Mas dão aquele toque de que as superfícies foram bem lapidadas e ajudam na fluidez do visual.

3) Por essa foto percebe-se o quanto o capô termina bem alto, em especial quando comparado com a altura dos retrovisores.

4) Esse detalhe está aí por duas razões: para “quebrar” visualmente uma área grande e ajudar na transição da superfície abaixo dos faróis, até a abertura do para-choque e a região dos faróis de neblina.

A história da Ford quase se confunde com a própria história do automóvel, por ser um dos fabricantes mais antigos do mundo e por ter revolucionado a indústria com sua linha de montagem. A produção em massa tornou o carro acessível a milhões de pessoas. Uma vez trilhado o caminho, naturalmente surgiu a concorrência e ela foi ficando cada vez maior, o que exigiu que a Ford desenhasse seus carros com competência.

É interessante como a Ford quase sempre desenhou muito bem seus modelos, vários deles entrando para a história como ícones de estilo. Generalizando, o estilo dos carros Ford nos Estados Unidos sempre foi um meio-termo dentre as três grandes norte-americanas; a Chrysler um pouco mais ousada e a General Motors mais conservadora. Disso resultou para a Ford em mais acertos do que erros no estilo de seus carros em 107 anos de história.

A empresa sempre manteve forte atuação tanto no mercado norte-americano quanto no europeu, mas durante muito tempo as exigências de um e de outro mercado eram tão diferentes que víamos estilos completamente distintos entre eles — caso do Escort, que tinha uma versão bem específica para os EUA. Há algum tempo, assim como outras marcas, a Ford iniciou um trabalho muito forte e interessante de fixação da identidade da marca.

E deu nomes a esses trabalhos. Na década de 1990 introduziu o que foi chamado estilo New Edge, sendo adotadas formas mais facetadas, e hoje usa o que ela chama de estilo Kinetic (cinético), em que são trabalhadas formas de aparência mais dinâmica, para dar aos modelos uma atitude que transmite a sensação de movimento. Nota-se que esse estilo tem sido adotado globalmente, mas são mantidas algumas diferenças — como o desenho da grade dianteira e dos faróis — que, entre outras coisas, deixam bem claro quais modelos são os norte-americanos e quais são os europeus, mas sem deixar dúvidas de que ambos são Fords.

O novo Fiesta está rompendo esta, digamos, divisão por ser oferecido no mercado norte-americano sem grandes diferenças de estilo em relação a seu irmão europeu. Ganhou apenas uma nova grade e a versão sedã, que já existia para a China, mas não era vendida na Europa por ser essa uma configuração não muito bem aceita por lá em modelos pequenos.

Analisar a identidade de marca adotada pela Ford na Europa — o que muito nos interessa, pois geralmente são os modelos feitos para o mercado europeu que acabam sendo vendidos por aqui — dá margem a reabrir uma discussão já bem antiga no mundo automotivo, que parece não ter fim e nem como se apontar quem está com a razão. Algumas marcas trabalham uma identidade tão forte e com o estilo tão característico que, quando adotados para modelos de segmentos diferentes, resultam em desenhos parecidos demais entre si. Seria o equivalente a olhar uma camiseta para comprar e decidir apenas se queremos o tamanho pequeno, médio ou grande.

É o que acontece hoje quando olhamos toda a linha Ford europeia, e o novo Fiesta foi criado seguindo essas diretrizes à risca. Como dito, é uma discussão sem fim e sem vencedores — pode agradar a alguns e a outros não. Continua

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Data de publicação: 21/9/10

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