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A segurança, na ordem do dia

A mentalidade do consumidor mudou, mas muitos não
sabem utilizá-la ou dão prioridade a itens de luxo

Texto: Henrique Mendonça - Edição: Fabrício Samahá

Hoje, a segurança é um dos fatores mais levados em conta na compra de um carro. Na Europa e nos EUA, testes comparativos de segurança ganham capa nas revistas e condenam modelos considerados inseguros. Os sites apresentam resultados de crash-tests (provas de impacto) ao lado das listas de equipamentos e opcionais e a maioria dos carros já vem com uma bom pacote de itens de segurança de série.

Mas nem sempre foi assim: quando Preston Tucker apresentou seu inovador projeto (
saiba mais), que seria o primeiro automóvel do mundo com cintos de segurança, pára-brisa ejetável, faróis que acompanhavam o movimento das rodas dianteiras e proteção interna em borracha, os equipamentos de segurança transmitiam a idéia de que o carro era inseguro. Pensava-se que um carro precisava destes itens por ser menos estável ou frear pior que os concorrentes. Assim, a versão final do Tucker perdeu alguns destes equipamentos.

Pacote de proteção: em caso de acidente, abre-se a bolsa inflável, os cintos são puxados por pretensionadores e a coluna de direção retrátil se recolhe (no alto). Ao lado, o pioneiro mas fracassado Tucker
O desinteresse pela segurança era tanto que a Ford chegou a calcular o que era mais viável: corrigir um defeito de projeto do modelo Pinto (que trazia o tanque de combustível entre o eixo traseiro e o pára-choque, facilitando a ocorrência de incêndios) ou pagar indenizações por mortes que viriam a ocorrer.

Apesar de o sistema de bolsa inflável (air bag) datar de 1974, quando foi lançado no Cadillac Eldorado, o dispositivo só veio a se popularizar nos anos 90. No Brasil, chegou aos carros nacionais em 1996, mas hoje já existem "populares" com o equipamento de série. Obrigatório nos EUA, foi projetado inicialmente para ser usado em aviões. Com o fracasso em testes, decidiu-se por sua colocação nos carros. E deu certo.

Bolsas infláveis laterais (direita) e de janela (acima) estão em cada vez mais modelos

Apesar de os consumidores do Primeiro Mundo fazerem questão dos itens de segurança, no Brasil nem sempre é igual. A Volkswagen, que inicialmente produziu o Golf com bolsas infláveis de série, investiu em maquinário para fazer o carro sem eles, tornando-os opcionais. Boa parte dos consumidores preferem gastar em equipamentos de luxo, como toca-CD e bancos de couro.

No exterior, particularmente na Europa por causa da maior velocidade praticada nas estradas, controles de tração e de estabilidade tornaram-se comuns e acessíveis. A VW oferece este último por cerca de R$ 200 em seus carros médios.

Mesmo em suas versões básicas, os carros mais modernos são mais seguros: possuem barras de proteção no interior das portas, estrutura deformável e frente mais sem cantos vivos, favorecendo até um eventual pedestre atropelado. Com o mesmo propósito, a Jaguar tornou opcional o adorno com a forma do felino montado sobre o capô do S-Type -- e o enfeite é normalmente retrátil. Motores como os do Omega e Classe A são projetados para desarmarem para baixo em caso de colisão.

O Golf europeu oferece controle de estabilidade a preço acessível. Já no Brasil foi desenvolvido maquinário para permitir a fabricação do carro sem bolsas infláveis

Apesar de todos os avanços tecnológicos, o fator principal para a segurança vai continuar aquele acessório que fica entre o volante e o banco. Prudência e perícia por parte do motorista são essenciais. Para resolver o problema deste complexo acessório, marcas como Mercedes-Benz e Nissan estudam carros que dirigem sozinhos, através de sensores que detectam as faixas da estrada. Mas é uma realidade distante, sobretudo para o Brasil.
Cuidados no uso e na manutenção
Não basta comprar um carro com equipamentos de segurança e não saber usá-los. Nos freios antitravamento, por exemplo, deve-se segurar o pedal mesmo que este trepide. Um disco empenado deve ser retificado ou substituído com urgência, pois o atrito desigual com a pastilha pode confundir o sistema e levá-lo a liberar a pressão incorretamente.

Já em carros com bolsas infláveis, é preciso manter em uso o cinto de segurança e não se deve ajustar o banco muito próximo do volante ou painel. Se houver bolsas laterais, operações no revestimento -- como a troca por couro -- devem ser feitas por pessoal altamente especializado, o mesmo ocorrendo com a desmontagem do volante ou do painel, no caso de bolsas frontais.

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