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CARTOMANCIA Naipe de Ouros: correlação mitológica com a ambição |
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MATÉRIAS ESPECIAIS |
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Minos, rei de Creta e sua mulher, Pasifae, e ainda o famoso artesão Dédalo, são os principais envolvidos no relato mítico em que se destacam, não só a ambição e a inveja, mas também a perseverança e a tenacidade daqueles que se esforçam para atingir seus objetivos a qualquer preço.
Diz a lenda que em Atenas vivia um talentoso artesão e arquiteto, cujas habilidades trouxeram-lhe fama e dinheiro. Foi, entretanto, tomado pela ambição, tornando-se ganancioso e avarento. Seu sobrinho, um adolescente igualmente talentoso nas artes manuais, começava a destacar-se de tal forma, que suas obras igualavam em perfeição e beleza com as do tio, despertando neste, ciúme e inveja. Instalou-se então uma acirrada competição pelo melhor trabalho, e Dédalo, sentindo-se ameaçado, matou o rapaz. Seu crime foi descoberto e o artesão teve que fugir da cidade.
Minos, rei de Creta, conhecendo a fama de Dédalo, abrigou-o em seu palácio dando-lhe a oportunidade de recomeçar seu trabalho. Naqueles tempos era comum sacrificar-se algum animal em homenagem aos deuses. Minos havia prometido a Poseidon - deus dos Mares - reverenciá-lo com a morte do belíssimo touro branco sagrado que fazia parte de sua manada.
Mais tarde, arrependeu-se por ter feito tão valiosa oferenda e matou um outro touro branco, no lugar daquele. Quando o deus dos Mares percebeu a troca, lançou sobre Minos uma maldição, fazendo com que sua mulher, a rainha Pasifae, se apaixonasse pelo tão cobiçado touro. Num gesto de desespero, a rainha ofereceu ao arquiteto uma verdadeira fortuna para que ele construísse uma enorme vaca de madeira, onde ela e o touro pudessem, finalmente, consumar tão devastadora paixão. Dessa inusitada união nasceu o Minotauro, um monstro com corpo humano e cabeça de touro, mais tarde aprisionado por ordem do rei, num labirinto idealizado e edificado por Dédalo. Qualquer pessoa que entrasse no labirinto, dali não conseguia sair, o que a tornava vítima fatal do Minotauro.
Ano após ano crescia o número dos incautos que entravam e morriam no labirinto, até que Teseu, príncipe de Atenas, conseguiu eliminar o monstro e escapar com vida porque teve a ajunda da princesa Ariadne [filha de Minos], que por ele se apaixonou, e de Dédalo, que lhe forneceu um fio de ouro para entrar no labirinto e poder achar o caminho de volta. Este gesto foi considerado, por Minos, uma traição, que resultou num castigo para o arquiteto e seu filho, Ícaro: os dois foram aprisionados no famoso labirinto para ali morrerem. No entanto, mais uma vez as habilidosas mãos do artesão encontraram uma saída. Dédalo modelou asas de cera adaptáveis ao corpo, permitindo, assim, que ele e seu filho escapassem.
Voando com asas de cera, os dois libertaram-se do labirinto e Dédalo teve sorte de chegar à Itália, mas Ícaro, obcecado pela ambição de voar até o Olimpo, foi tomado pela hybris - arrogância perante os deuses - e assim suas asas derreteram com a aproximação do Sol e ele despencou do alto, caindo no mar e morrendo afogado.
Interpretação do naipe de Ouros
O naipe de Ouros corresponde ao elemento Terra. Aqui trabalha-se a sedimentação da vida, o empenho para a concretização dos sonhos, dos ideais, e de tudo que represente o esforço humano para o desenvolvimento da vida material. É neste naipe que o Tarô aborda as necessidades físicas, os cuidados com o corpo, a saúde, o trabalho concreto com que nos envolvemos para garantir a sobrevivência.
No relato mitológico correspondente a este Naipe vimos como a ambição faz parte da natureza humana, e como o seu desenvolvimento, em vários graus, pode tornar-se uma valiosa mola propulsora para o crescimento pessoal, e como pode, também, ser desenvolvida de forma exacerbada e se transformar na perdição do indivíduo, como aconteceu com Minos, Dédalo e seu filho Ícaro.
O lendário Dédalo, artesão brilhante e criativo [lembrado como o criador da serra e do martelo] incorpora perfeitamente a imagem da ambição normal, sadia, aquela vontade que nos impulsiona e nos faz crescer, como também representa a imagem da ambição desmedida, a ganância e até a avareza. A grande deusa Deméter, Mãe-Terra e Nutridora, é a figura divina que ensinou aos homens a arte de arar a terra, a plantar, colher, e também a moer o trigo e a fazer o pão.
Poseidon, o grande deus dos Mares, está ligado ao elemento Terra por ser o irrigador; são suas águas que irrigam e enriquecem a terra, que contribuem para o desenvolvimento e crescimento da produção daquilo que foi plantado.
Assim como nos outros naipes, segue-se uma sequência de UM a DEZ retratando os anseios, o trabalho, a ambição, o desenfreado desejo de poder, mas igualmente uma vontade inquebrantável que permanece e supera todas as dificuldades. Para este Naipe, concebemos a situação de alguém que quer, a todo custo, desenvolver um projeto de trabalho para atingir metas pessoais e financeiras.
*Lydia Alves ministra cursos de Tarot. Informações pelo tel. [21]234-4198
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