SAÚDE:
Medicina tradicional indiana diminiu risco da arteriosclerose
 
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Um ano de um programa múltiplo desenvolvido com base na medicina
tradicional indiana reverteu, em idosos saudáveis, o espessamento das
paredes dos vasos sanguíneos -- distúrbio conhecido como arteriosclerose ou enrijecimento das artérias -, informou um estudo.

A arteriosclerose é um dos principais fatores de risco para enfarte e
derrame.O programa, que se baseou na tradição de 4 mil anos da medicina Védica,incluiu meditação transcendental, uso de suplementos vegetais
antioxidantes, dieta com baixo teor de gordura e rica em frutas e vegetais, realização de caminhadas e de exercícios de yoga destinados a reduzir o estresse. Diariamente, os participantes meditaram duas vezes durante 20 minutos e caminharam por 30 minutos.

Robert Schneider, chefe da equipe do Center for National Medicine and
Prevention, em Fairfield (Iowa), disse à Reuters Health que essa é a
primeira vez que a combinação de técnicas mentais e físicas demonstraram
reverter a arteriosclerose. "Uma regressão real não é comum", disse o
especialista. Ele lembrou que as estatinas, drogas usadas para reduzir o
colesterol, também provocam regressão, mas, para isso, "é necessário usar
artilharia pesada". As conclusões do trabalho foram publicadas no American Journal of Cardiology. "O uso combinado de várias modalidades desse sistema natural criou um efeito sinérgico que foi mais efetivo que as abordagens modernas", observou Schneider. Os resultados demonstram que essa abordagem pode ser aplicada para idosos. Oitenta por cento dos voluntários da pesquisa seguiram as recomendações da medicina indiana.

"Os resultados são bastante estimulantes. O programa poderia ser usado
amplamente nas clínicas", acrescentou o pesquisador.
Como parte de um estudo maior, financiado pelos Institutos Nacionais de
Saúde, a equipe de Schneider designou aleatoriamente 20 pessoas saudáveis
com mais de 65 anos para integrar um grupo que seguiu a intervenção da
medicina tradicional indiana, 14 para fazer o tratamento usual, e 9 para
receber terapias médicas modernas.

A abordagem moderna incluiu a realização de caminhada aeróbica, de
alongamento e de exercícios durante um total de 60 minutos, cinco vezes por semana, além de aconselhamento nutricional e uso de suplementos
multivitamínicos padrão.

Após um ano de tratamento, a probabilidade de apresentar redução do
espessamento das paredes da artéria carótida (que irriga o cérebro), medido por ultra-sonografia, foi cerca de quatro vezes maior entre os integrantes do grupo que praticou a medicina tradicional indiana que entre os voluntários dos outros dois grupos combinados.

A redução das paredes da artéria apresentada por quem seguiu a medicina
tradicional foi, em média, de 0,318 milímetro (mm). O grupo que fez a
terapia usual teve aumento de 0,22 mm nessas medidas, e os pacientes
tratados com a medicina moderna mostraram redução de 0,082 mm na espessuradas paredes da carótida.

Schneider observou que a intervenção da medicina tradicional ofereceu um
benefício maior que o registrado em estudos anteriores que avaliaram
terapias únicas, como o uso de betabloqueadores, estatinas, antioxidantes
em altas doses e de meditação transcendental.
A abordagem da medicina indiana também pareceu mais aceitável para os
pacientes porque as restrições da dieta não são "radicais" e o nível de
exercício pode ser cumprido facilmente, comentou o pesquisador.
Schneider lembrou ainda que a dieta indiana limita o teor de gordura, mas
inclui "alimentos medicinais ou promotores de saúde".




American Journal of Cardiology

 

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