BUDISMO:
A história de Saiho
 
MATÉRIAS ESPECIAIS


Saiho (o pai) possuia, em seu sítio encravado no sopé do monte Sumi, um magnífico e vistoso cavalo de pelo negro do qual a família se sentia muito orgulhosa e feliz, pois o cavalo era muito obediente e dócil. Um dia, sem nenhuma razão aparente, o cavalo fugiu. Por mais que se procurasse ele não foi encontrado, simplesmente tinha desaparecido. Saiho (O filho) e os outros membros da família ficaram totalmente desolados. O cavalo era a alegria deles. Entretanto, Saiho (O pai) não demonstrava nenhum sinal de desanimo, permaneceu como nada houvesse acontecido, continuando a viver normalmente.

Passadas algumas semanas, o cavalo apareceu, como que saído do nada, acompanhado por uma esbelta e forte égua de côr branca.



A DESGRAÇA SE CONVERTE EM FELICIDADE


A família de Sahio, principalmente seu filho Saiho ficaram radiantes de alegria, pois agora não somente tinham o belo cavalo que voltara, mas também uma égua que certamente lhes traria novas alegrias. Quase que de imediato iniciaram a domesticação da égua, que por ser selvagem, poderia acabar contagiando o cavalo e, depois acabaria sendo mais difícil domesticá-lo de novo. Saiho (O pai) continuadamente repetia "Nào sejam estúpidos, não se alegrem tanto".

Passada uma semana, quando Saiho (O filho) tentava ensinar a égua à obedecer comandos básicos, desequilibrou-se, vindo a cair violentamente no chão, quebrando a perna na altura do joelho. O médico que o examinou, posteriormente, informou após os exames e atendimentos de praxe que face à gravidade da fratura da perna na altura do joelho, Saiho ficaria manco (Coxo) para sempre.

A FELICIDADE SE CONVERTE EM DESGRAÇA.



Sahio em razão do seu estado físico em função do acidente, sabendo que não poderia mais se divertir montando a cavalo (O que fazia com maestria de cavaleiro) nem usufruir da satisfação de poder domesticar uma égua selvagem, entrou em profunda depressão. Passando a viver escondido em casa, sem falar com seus familiares e, se alimentando muito mal.

Mas aquela não era uma época boa, o conflito era eminente, e o que mais se temia acabou acontecendo. Estourou a guerra. Todos os jovens com idade suficiente e de boa saúde deveria se apresentar ao posto militar da sua cidade para serem identificados, treinados e encaminhados ao front de batalha, que se encontrava bem mais perto do que se imaginava. Sahio não foi aceito por seu estado físico. Sahio era forte e jovem, porém o seu estado de espírito aos recrutadores foi entendido como covardia, além do que era manco. Afinal, um país em guerra não pode se dar ao luxo de ter em sua frente de batalha um soldade manco e ainda por cima covarde. Desta guerra brutal (Toda e qualquer guerra é sempre brutal e desumana) houveram poucos sobreviventes. Dos amigos de infância de Sahio nenhum voltou vivo. Somente Sahio logrou sobreviver graças à sua enfermidade.

A DESGRAÇA SE CONVERTE EM FELICIDADE


Após algum tempo como era de se prever (A natureza apesar dos pesares segue seu curso pouco se preocupando com o que os homens na sua ignorância estão fazendo) a égua veio a conceber um lindo e enorme filhote malhado, que pelo tamanho avantajado acabou por esterilizar sua mãe, impedindo que ela viesse a procriar novamente. Infortúnio. Os gritos de júbilo logo se transformaram em desabafos de desanimo e pesar.



A FELICIDADE SE CONVERTE EM DESGRAÇA


Sahio ao ver a linda cria esqueceu, como que por milagre, os estados depressivos que se encontrava fazia muito tempo, e passou a cuidar do pequeno rebento como se fora seu. O cavalo, motivo de espanto e admiração de todos que o viam, crescia em força e beleza. Em pouco tempo ultrapassava seus pais em altura e robustez. Sahio tinha encontrado novamente a felicidade perdida. Esse novo alento fez com que seus olhos brilhassem radiantes novamente. Acompanhava pari passu o crescimento do cavalo que recebeu o nome de Nakara. A harmonia, afinal, tinha retornado ao seio daquela família.



A DESGRAÇA SE CONVERTE EM FELICIDADE.



Todavia, Sahio (O pai), tal qual uma ave agourenta continuava repetindo "Não sejam estúpidos, não se alegrem tanto". Infelizmente, por se encontrar (O sítio de Sahio) longe da cidade mais próxima não foi possível arranjar ajuda veterinária em tempo hábil para Nakara. Nakara acabou falecendo de febre humana (Foi o que disse o veterinário) doença comum em cavalos que ficam muito tempo em contato com seres humanos enquanto são novos e ainda não desenvolveram anticorpos suficientes para combater os vírus comuns nos homens



A FELICIDADE CONVERTE EM DESGRAÇA.



Poderíamos continuar contando a história da família de Sahio até que os ossos do último de seus descendentes estivesse seco, mas acho que esses poucos anos em sua companhia por si só já são auto-suficientes.



Getúlio Taigen

 

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