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CONTOS: A importância de ler e contar histórias para as crianças |
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MATÉRIAS ESPECIAIS |
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Contadores de histórias... quando ouvimos essa expressão quase sempre vamos lá atrás no tempo e nos recordamos de uma tia ou avó que nos contavam histórias antes de dormir. Infelizmente, contar histórias e, principalmente, se contar para o outro tem se tornado uma prática pouco comum ou quase inexistente. Perdemos o sentido mais primário que essa linguagem propicia: de agrupar pessoas, aproximar e compartilhar.
No corre-corre da vida, na linguagem industrial que algumas emissoras impõem, pouco tempo reservamos para simplesmente contar histórias para nosso filhos.
Esquecemos que, através das histórias, a criança cria seu próprio inventário moral, elabora questões que a angustiam e se sente alimentada. Através de personagens que têm que vencer obstáculos, sair do âmbito familiar e conseguir sucesso no mundo externo, preparamos o pequeno ouvinte para vivenciar com mais segurança suas próprias derrotas e perdas.
Contudo, é preciso ter muito cuidado ao eleger as versões que são contadas para as crianças, grande parte das publicações que encontramos nas livrarias (afinal, criança é um grande filão editorial) foram de tal forma destituídas de sua essência que perderam elementos importantes para atingirmos nossos objetivos.Nossa entrevistahoje é com Nanci Nóbrega, especialista em leitura e, mais que tudo, uma apaixonada pelos livros e leitores.
Como a leitura pode ser estimulada em casa? Uma casa bem boa é uma casa cheia de histórias escorrendo pelas paredes, plantadas em vasos, enfiadas nas gavetas, à mostra nas cristaleiras. Para isto, além de livros povoando todos os lugares, penso que uma forma bonita de estimular a leitura em casa é ter olhos e ouvidos abertos para o mundo, para a vida, Tudo, exatamente tudo serve para atiçar o desejo por histórias. Que nos tornemos contadores de histórias e cantadores da vida, não é?
Qual a importância da leitura na formação do indivíduo? Eu acredito muito que a leitura é um território, sabe? Um território de (re)significação. Prá falar mais intensamente sobre isto eu estou até construindo uma tese de doutorado. Uma tese onde tento argumentar que os sujeitos sociais se constroem verdadeiramente a partir do momento em que se tornam leitores de si, do outro, do mundo.
O que é ser leitor? É ter a alma aberta, os olhos atentos e a consciência inquieta.
Quais as fontes para buscarmos histórias para as crianças? Muito resumidamente: nos livros clássicos, aqueles maravilhosos, que mudaram a vida de gerações e gerações; livros com contos de fadas, com contos populares de diversos países, com mitos de várias civilizações. Mas também é bom não esquecer das histórias contadas oralmente, aquelas que fizeram e fazem uma multidão de crianças adormecerem e sonharem e "despertarem", assim com aspas. E aquelas histórias familiares, de nossos entes queridos, histórias que vão construindo sagas fantásticas e que estão tão pertinho de nós: aquela tia que nunca se casou porque preferiu ir viajar pelo mundo para conhecer outros lugares e povos; aquele primo adorado que se foi; aquela avó cheia de maluquices e sabedorias etc. etc. Você se lembra daquele verso do Drumond que diz: " e eu não sabia que a minha história era mais bonita que a de Robinson Crusoé"? Pois é, eu acredito demais nessas fontes.
Simples, não é? Com o tempo, vamos sofisticando tanto nossos gostos e hábitos que nos esquecemos de legados tão importantes. Qual foi a última vez que nos sentamos confortavelmente no tapete, abrimos o álbum de fotos de família e revisitamos nossa própria história? Qual a última vez que contamos para uma criança uma história que ouvimos na infância? Uma atitude tão informal e, ao mesmo tempo, tão rica.
Para os interessados na arte dos contadores de histórias, duas dicas: Sábadoconto - programação aos sábados com contadores de histórias, sempre às 17 h, na PUC/RJ. Entrada franca.
A iniciativa faz parte de um projeto de dinamização da leitura do Grupo Pode Crer. Eu mesmo estive lá me apresentando e conferi que o evento não só seduz crianças como também adultos. (Informações sobre a programação: Tel: 2529 9513 (Belém)
*Oficina de Contadores de Histórias - início em setembro, na Spaço Tel:2262 0035/2215 6301). Até a próxima. Muita luz!!!
Laerte Vargas Telefone de Contato: (21) 2262 0035 (fax) e 2215 6301
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