UM CONTO ÁRABEMarcas que vão e ficam
 
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Por Paulo Araújo*

Diz uma lenda Árabe que dois amigos viajavam pelo deserto e em determinado ponto do caminho, discutiram e um deu uma bofetada no outro. O agredido não reagiu. Limitou-se apenas a escrever na areia: "Hoje meu melhor amigo me bateu no rosto".

Seguiram adiante e chegaram a um oásis, onde resolveram banhar-se. Nesse momento, o que recebera a ofensa começou a afogar-se, mas foi salvo pelo amigo. Ao recuperar-se, pegou um canivete e escreveu numa pedra: "Hoje meu melhor amigo salvou-me a vida."

Intrigado, o outro indagou:

- Por que, depois que eu o ofendi você escreveu na areia e, agora, repete o mesmo gesto na pedra?

Sorrindo, ele lhe respondeu:

- Quando um grande amigo nos magoa, devemos escrever onde o vento do esquecimento e do perdão se encarregue de borrar e apagar a lembrança. Por outro lado, quando algo bom nos acontece, devemos gravá-lo na pedra da memória e do coração, onde vento algum em todo o mundo poderá apagá-lo.

Colaboração de Roberta Almeida

Paulo Araújo é escritor e conferencista
E-mail: paulo@pauloaraujo.com.br

 

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