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MATÉRIAS ESPECIAIS |
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Muitos gajões (não-ciganos) não sabem que a vida de cigano é uma vida dura. Os ciganos cozinham de cócoras; a cama de um cigano é um tapete; ali, na barraca fechada, dormem no chão pais e filhos, todos juntos. Eles não são mendigos, mas seguem outra doutrina de vida: o Sol, a Lua e a chuva fazem parte da sua família. Quando chegam a um lugar e montam suas barracas, vêm sempre os gajões tirá-los dali, presos a preconceitos que os antepassados dos gajões transmitem de geração a geração. Por incrível que pareça, até os dias de hoje, as sociedades não perceberam que o verdadeiro cigano não faz mal a ninguém, não quer suas terras; quer apenas fazer pousada por algum tempo. Mas os gajões não aceitam conviver na mesma localidade.
Espero que, no futuro, os gajões tenham mais coração e aprendam que os ciganos são seres humanos iguais a eles, pois são todos filhos do mesmo Deus, o que criou o Universo, os animais, criou o homem à sua semelhança e os fez procriarem, aumentando, assim, a raça humana.
As crianças ciganas são iguais a qualquer outra criança. Os velhos ciganos são iguais aos de qualquer família, pois já viveram bastante, adquirindo, assim, a capacidade de ensinar aos mais novos o segredo da vida. Cada cidadão tem sua opção de vida e cada um escolhe o que é melhor para sua família. Se o bisavô, o avô, o pai e o filho cigano querem seguir esse modo de vida, deixe-os em paz. Esse foi seu passado, é seu presente e será seu futuro. Se esse povo não quer viver entre paredes de tijolos, se gosta de dormir em cima da mãe terra, sentindo sua energia, esse povo tem o direito de escolher seu modo de vida e de ser feliz assim.
Extraído do livro Mistérios do Povo cigano- de sua autoria *Cigana Ana Natasha |
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