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CIGANOS: Ciganos da Dinamarca |
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MATÉRIAS ESPECIAIS |
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O país, avistado do alto, parece um fantástico quadro pintado em cores vivas e alegres que vão do verde intenso ao azul dos inúmeros lagos. As florestas ao redor formam uma moldura imaginária; parece obra de um artista que deixou fugir das mãos o pincel carregado de tinta, desenhando uma imprevista faixa de cores. Ao primeiro olhar, é um país de fantasia, habitado somente por gnomos travessos e por louras fadas envoltas em amplos mantos azuis. Foi nesse cenário que nasceu a cigana Raí. Mas infelizmente, com dois anos, Raí ficou cega. Foi num lindo dia de Sol. O Pai-Sol iluminava o belo cenário. A cigana Raí estava sentada na grama verdinha. Quando olhou para o céu e viu o Pai-Sol, ficou deslumbrada com a luz que vinha do alto. Ela passou muito tempo contemplando o Pai-Sol. Com o passar das horas, ela começou a chorar. A mãe foi em seu socorro e, pegando-a no colo, percebeu que ela não estava enxergando. Desesperada, foi direto para a barraca da cigana Zíngara. Lá chegando, contou-lhe que a cigana Raí estava cega. A cigana Zíngara apanhou Raí no colo e disse para sua mãe: - Foi uma energização muito forte do Pai-Sol. Mas eu dou um jeito nisso. A cigana Zíngara foi até o seu baú e trouxe uma pedra grande que brilhava muito. Era muito límpida, essa pedra, mas, quando a cigana Zíngara começou a rezar com a pedra nos olhos da cigana Raí, ela passou a refletir as cores como um arco-íris. Depois de várias horas, a cigana Zíngara colocou a pedra dentro de um tacho de cobre e começou a espremer folhas dentro de uma bacia com água, tirando seu sumo. Lavou os olhos da ciganinha Raí com parte do sumo das folhas e jogou o restante dentro do tacho em que estava a pedra, continuando a rezar. A água começou a ferver como se o tacho estivesse em cima do fogo. Quando parou de ferver, a cigana Zíngara disse para a mãe de Raí: - Não se preocupe, sua filha vai enxergar de novo. O Pai-Sol perdoou-a, pois ela é inocente não fez por mal. Sabe, o Pai-Sol não gosta que as pessoas fiquem olhando para ele por muito tempo. A cigana Raí captou muita energia do pai-Sol e isso prejudicou muito seus olhos. Quando a água com as folhas que está no tacho esfriar, a cigana Raí vai enxergar de novo. Neste momento, penetrou na barraca da cigana Zíngara um perfume de flores suave e gostoso que trouxe alegria para a mãe de Raí e, para a pequena cigana, um oásis de paz. E a cigana Raí voltou a enxergar. A família cigana permaneceu por muitos anos na Dinamarca, em Randers, que é uma cidade muito importante para os ciganos. Essa história se deu há muitos anos. Hoje, a cigana Raí chega até a aura das pessoas e sabe dizer a hora certa da seguinte maneira: pega um bastãozinho e coloca na mão, seguro entre a base do polegar e a borda da mão. Fica de costas para o Pai-Sol e diz a hora certa: se a sombra do bastão for projetada sobre o dedo indicador, são cinco horas da manhã; se atingir o dedo médio, são seis horas; se atingir o anelar, são sete horas; se atingir o dedo mínimo, são oito horas; se se projetar na metade do dedo mínimo, são nove horas; no final do dedo mínimo, são dez horas; no meio da mão, são onze horas; mais abaixo do meio da mão, são treze horas; entre o pulso e a mão, são doze horas. Essa é a história da cigana Raí, que ajuda as pessoas que têm deficiência de visão.
*Ana da Cigana Natasha
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