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ESPÍRITO: Carta a um amigo da terra |
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MATÉRIAS ESPECIAIS |
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Caro companheiro,
Você quer saber algo de sua verdadeira situação na Terra. Compreendo. Quando a pessoa entra nessa grande colônia de tratamento e cura, é convenientemente tartada. A memória deve funcionar na dose justa. É natural.
A permanência aí pode ser longa e, por isso mesmo, certas medidas se recomendam em favor dos beneficiários. Atenda às instruções do internato e não se preocupe, em demasia, com os problemas que não lhe dizem respeito. Não se prenda aos seus apetrechos de uso e nem acumule utilidades que deixará inevitavelmente, quando as autoridades observarem você no ponto de retorno. Se algum colega de convivência estima criar casos, esqueça isso. Não vale a pena incomodar-se. Ninguém ou quase ninguém passa por aí sem dificuldades por superar. Viva alegre, com sua consciência tranquila.
Em se achando numa estância de refazimento, é aconselhável manter-se fiel à tarefa que a administração lhe confie. Procure ser útil, deixando seu lugar tão melhorado quanto possível, para alguém que aí chegue depois.
Quanto ao mais, considere você e os demais companheiros de convivência e necessidade simplesmente acampados, unidos numa instituição de tratamento oportuno e feliz. Aí você consegue dormir mais tempo, distrair-se na sua faixa temporária de esquecimento terapêutico, deliciar-se com a excelente alimentação, compartilhar de vários jogos e ensaiar muita atividade nobre para o futuro. Aproveite! O ensejo é dos melhores. Descanse e reajuste as próprias forças porque o trabalho para você só será serviço mesmo, quando você deixar o seu uniforme do instituto no vestiário da morte e puder regressar.
André Luiz (Psicografado por Francisco Cândido Xavier) *Texto selecionado pela internauta Juliana Gazzinelli Borges
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