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Canto de Luz: Lesão Cerebral: Seu efeito segundo os estudos espíritas |
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MATÉRIAS ESPECIAIS |
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Verão de 1848, Nova Inglaterra:
Phineas P. Gage, 25 anos de idade, capataz da construção civil, chefe de uma brigada de homens cuja tarefa consiste em assentar os trilhos da ferrovia através de Vermont. Durante rotineira tarefa de explosão de rocha, Phineas Gage sofre «maravilhoso acidente» quando ao calçar a pólvora, diretamente com a barra de ferro, provoca uma faísca detonando a carga explosiva, arrebentando-lhe o rosto. O ferro entra pela face esquerda de Gage, trespassa a base do crânio, atravessa a parte anterior do cérebro e sai em alta velocidade pelo topo da cabeça, caindo a mais de 30 metros de distância, envolto em sangue e cérebro. Está agora atordoado, silencioso, mas consciente. Apresentou alguns movimentos convulsivos nas extremidades mas falou poucos minutos após. Cerca de 1 hora após o acidente Gage relata ao Dr. William, que o atendia atônito, como ocorrera o acidente, de forma racional, respondendo a todas as perguntas com riqueza de detalhes. Henry J. Bigelow, professor de cirurgia em Harvard, descreve a barra de ferro: «pesa cerca de seis quilos, mede cerca de um metro de comprimento e com aproximadamente três centímetros de diâmetro».
Phineas Gage sobrevive ao acidente, à infecção secundária e é dado como são em menos de 2 meses, tendo como única seqüela aparente a perda de visão do olho esquerdo.
Não havia qualquer seqüela motora, nem de fala ou de linguagem, nem de demência.
Contudo, Gage deixou de ser Gage! Sofreu uma mudança tão radical de personalidade que seus amigos e conhecidos dificilmente o reconheciam.
Gage tinha uma mente bastante equilibrada e era considerado por aqueles que o conheciam como uma pessoa de hábitos moderados; um homem de negócios, astuto e inteligente, muito enérgico e persistente em seus planos de ação. Era definido pelos seus superiores como o mais eficiente e capaz, tinha liderança e era muito admirado e popular entre os seus pares.
Mostrava-se agora cheio de capricho, irreverente, usando a mais obscena das linguagens (o que não era anteriormente o seu costume), manifestando pouca deferência para os colegas, impaciente a restrições ou conselhos quando entravam em conflito com seus desejos, por vezes obstinado, outras vezes caprichoso e vacilante, fazendo muitos planos para ações futuras, tão facilmente concebidos como abandonados «...sendo uma criança nas suas manifestações e capacidades intelectuais, possui as paixões animais de um homem maduro...»
"As mais severas repreensões de seu médico falharam na tentativa de resgatar em Gage seu tão apreciado comportamento anterior ao acidente. Perdeu o emprego onde outrora era tão estimado e não mais conseguiu se fixar em nenhum outro, tornando-se beberrão e arruaceiro sem recuperação até sua morte aos 38 anos."
(Texto extraído da obra O erro de Descartes, de Antônio R. Damásio, Companhia das Letras.)
Com base no texto verídico acima, pergunta-se:
1 - Seria a mente um epifenômeno da matéria, como querem os neurofisiologistas?
2 - Como se explica tal mudança do ponto de vista moral e ético (atributos do espírito) terem sido provocadas por alterações neuro-anatômicas?
3 - Temos visto na Clínica mudanças de personalidade motivadas por alterações neuro-químicas e morfo-funcionais tais como tumores, doenças degenerativas, etc. Tais alterações contudo, me parecem decorrentes, antes de tudo, da "doença do espírito" que se exterioriza e manifesta no corpo físico através de alterações estruturais ao longo do tempo.
Como explicar em termos de "fisiologia do espírito" mudança tão drástica motivada por um acidente?
Como é possível um espírito retroagir moralmente em decorrência de uma alteração em seu corpo físico?
Dr. Júlio Cesar Quaresma Magalhães
Resposta · Responde o Dr. Jorge Andréa dos Santos (Psiquiatra, escritor e orador espírita)
A organização nervosa material humana será sempre zona de manifestação do campo espiritual que lhe é próprio.
Uma mudança acentuada de personalidade poderá ser conseqüência de um desequilíbrio metabólico do cérebro. No caso em pauta, apesar da redução do campo consciente pelas extensas lesões, o indivíduo, surpreendentemente, não apresentou seqüelas motoras, muito menos de linguagem ou conseqüente estado demencial; porém houve ativação acentuada de instintos primários com reflexos na personalidade.
A mudança de personalidade poderia estar relacionada aos blocos instintivos, ainda existentes na própria organização espiritual devido à falta dos campos materiais, que foram lesados, onde deságuam essas energias. É como se deixasse de existir os campos nervosos materiais normais, funcionando como "abafadores" do fluxo energético instintivo espiritual que o comportamento e experiências do encarnado podem registrar. Será que a zona cerebral em funcionamento, após redução traumática, somente permitiu os desagues energéticos mais primitivos do espírito?
Por outro lado, numa apreciação bem mais lógica, devemos considerar o traumatismo como determinando ausência de contenção dos instintos, possibilitando que houvesse associação espiritual de entidade ainda rude e ignorante com a qual, no passado, pudesse estar o indivíduo em questão comprometido. Visto desse modo, a associação mental com outra entidade tornou-se tão intensa que o ser foi integralmente subjugado, passando a refletir a personalidade do invasor, ainda que em reduzido campo cerebral.
Isso não significa que o espírito do traumatizado involuiu, mas, sim, que participou de um processo obsessivo, cujas expressões são negativas pelo primarismo com que se expressam. As decorrentes reações psicológicas, embora negativas, serão sempre aproveitadas como experiências pelos impulsos evolutivos.
*Por Elio Mollo, estudioso da Doutrina Espírita, em pesquisa às informações da REVISTA INTERATIVA DE ESPIRITISMO HERESIS nº 1 - Novembro/Dezembro, 1996
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