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TRADIÇÕES AFRICANAS: A perda da ética do sagrado |
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MATÉRIAS ESPECIAIS |
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Esses procedimentos geraram jovens sacerdotes insatisfeitos com a religião em si, e com a transmissão oral, e iniciou-se um processo de cobrança de seus mais velhos, de quem exigem outras maneiras de veicular o ASE.
Estes jovens, geralmente com perfil diferente dos candomblecistas de 20 anos passados, com estudos mais profundos, oriundos de outros meios sociais, acostumados a obter facilmente conhecimento através de cursos e livros, dominando alguns idiomas além do português, começaram a exigir de seus pais e mães no ÒRÌSÀ outra postura, a buscar nas teses acadêmicas e na pouca literatura disponível no mercado, aquilo que lhes era negado nos Templos.
Divisaram que seus mais velhos, talvez por um ingênuo orgulho de estarem sendo pesquisados por "doutores" e "professores" das Universidades, a eles repassavam, de boa fé, inúmeras informações que eram sistematicamente negadas a seus discípulos.
Talvez também isto se desse porque estes pais e mães não tivessem o alcance de compreender que destino seria dado a estes ensinamentos, que transformados em teses, e futuramente em livros, estariam à disposição de quem os procurasse nas bibliotecas e livrarias. E, apesar de escritos com uma ótica um pouco diversa da religiosa, dificilmente eram filtrados pela ética do sagrado, porque poucos eram e são os pesquisadores que atravessam o espelho, convertendo-se à crença do pesquisado.
A princípio, buscando livros de autores populares nas lojas de artigos para o culto, depois lendo uma tese sobre "afrobrasilidade" religiosa, daí se aproximando da Universidade para estudar rudimentos do yorùbá, e a seguir, tendo a idéia de procurar conhecimento na fonte, estender a trajetória de busca à própria África, foi seqüência lógica para inúmeros jovens sacerdotes a partir do final da década de setenta, quando o interesse pelos cultos afro se ampliou nas cadeiras de sociologia e antropologia das Universidades, quando ÒRÌSÀ saiu dos Templos e dos corações para ingressar na música popular e no carnaval, e quando o ensino do yorùbá se instalou em algumas universidades.
Os professores nigerianos, alunos eles também, necessitados de um numerário extra que lhes aliviasse a vida de bolsistas, a princípio interessados em ensinar somente a língua e os costumes yorùbá, logo sentiram que o interesse dos alunos era na religião, no mistério, nas cantigas, rezas, mitos, e mesmo na possibilidade de comprar material para o culto, como favas, sementes, pós, penas, contas, roupas, bem escassos e caros nas lojas especializadas.
*ÌYÁLÒRISÁ Sandra Medeiros Epega ÌYÁLÒRISÁ do Ile Leuiwyato - Templo de Culto aos ÒRÌSÀ
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