A volta à Mãe-África
 
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E de um em um, ou em grupos, foram atravessando de volta ao Atlântico, indo resgatar o ASE da Mãe África. Necessário era vencer a barreira da língua, do dinheiro, da comida, do desconhecimento, do medo.
A muitos, estas viagens trouxeram status, cargos comprados aos Oba mais pobres, nos templos mais humildes, por poucos dólares, roupas novas com as quais deslumbrar os amigos, esculturas e peças sagradas que poderiam gerar inveja, quando postas a enfeitar as salas dos candomblés.

E os vôos de domingo da VARIG, São Paulo - Lagos, partiam cheios de sacerdotes, num pairar animado que evidenciava o entusiasmo de que se achavam possuídos. Alguns fizeram amigos, que mais tarde para cá vieram e se fixaram, ou vivem ainda hoje numa ponte aérea Brasil - Nigéria, a serviço do ASE. E outros, bem poucos, os idealistas, buscaram no fundo dos Templos a religião, o conhecimento, o perdido elo do IFA, das "escrituras" orais, sem a preocupação de terem "cargos" ou "assento" nos Templos Africanos.

E na volta, esta diferenciação também se fez sentir nos Candomblés. O "richellieu", bordado tido como alto status entre as "feitas", branco imaculado e estalando no capricho da goma, foi sendo substituído pelos panos da costa, pelos tecidos ricos e coloridos importados de países africanos. E a "roupa de santo", as baianas, os camisus de crioula, as batas, os torsos, estão hoje quase desativados em muitas casas, cedendo espaço às KAFTA, às DJELEBA, aos AGBADA, aos FILÁ, aos ASO IRO, aos BUBA, aos DANSHIKI YORÙBÁ.

Todo crente tem hoje um fio de coral no pescoço, comprado a preços módicos dos nigerianos sorridentes, cujos bolsos e malas estão cheios de muamba sagrada. Porém, se as mudanças exteriores podem ser sentidas em quase todos os Templos, notadamente os do Sul, e os de primeira geração, o ASE praticado em si pouco mudou.

*ÌYÁLÒRISÁ Sandra Medeiros Epega
ÌYÁLÒRISÁ do Ile Leuiwyato - Templo de Culto aos ÒRÌSÀ

 

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