TRADIÇÕES AFRICANAS:
A lenda do Odu Ejiologbom, o que traz aos seus regidos astúcia, destreza e sagacidade
 
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Lendas

Está registrado na história que, na terra de Tapa, apareceu um mancebo escravo que exercia a profissão de cortador de capim do seu senhor. Quando morreu o rei Alafim toda a família real ficou confusa, anarquizado o país, não se sabendo o que fazer para resolver o problema da sucessão. Então, alguns dos príncipes dirigentes defenderam a idéia de se preferir pessoa alheia ao sangue real para assumir o posto de rei.
Assim se fez, empossando por ato de uma revolução o mancebo escravo de nome Xangô. Desde esta ocasião, muitas pessoas não ficaram satisfeitas com semelhante escolha. Se entre tantos generais e homens guerreiros que tinham prestado grande serviço à nação nenhum deles servira para este posto, como pôde este simples aventureiro Xangô ser feito rei?

De forma que Xangô, vendo-se sem prestígio para dirigir seus concidadãos, procurava por outros meios e maneiras que lhe permitissem dominar seu povo.Alguém lembrou-lhe que mandasse adquirir alguma coisa que servisse de admiração junto ao povo e que, ao mesmo tempo, provocasse o terror, pois assim ele seria poderoso diante deles.
Imediatamente, Xangô mandou Oiá, uma das suas mulheres, a que era de sua maior confiança, à terra de Bariba fazer um trabalho mágico. Quando ela voltou, ele botou na boca o artefato que ela trazia, e sempre que ele abria a boca dela saía fogo.

Xangô começou a fazer uso desse objeto para o terror alheio. Quando ele falava, lhe saía fogo pela boca, mas o mesmo fazia a sua esposa, até que Xangô zangou-se muito, pois ela estava tirando o valor do dito prodígio. Seus amigo, contudo, advertiram-no de + -que não caísse na asneira de expulsá-la de casa, pois isso seria uma grande desmoralização para ela, que então continuaria a fazer outras coisas com o propósito de aumentar o descrédito dele. Ao contrário, ele deveria estar sempre com ela junto de si, para tudo, navida e na morte. Ele aceitou os conselhos dos amigos.
Nesse ínterim, um dos generaismais valentes que havia no reino, de nome Gbaka-eberi, entrou um dia no palácio e ameaçou o rei Xangô, dizendo que o fogo que ele, Xangô, costumava deitar boca afora era uma impostura. Xangô o chamou em resposta para uma luta de morte na praça da cidade.
Começaram a luta na hora marcada. Travaram a luta os dois valentes até que um matou o outro. Um homem de nome Timi-olofa-im, lá pela tarde do mesmo dia, juntou-se aos que iam dar os parabéns a Xangô, apareceu o tal general Timi-olofa-im dizendo que Xangô devia retirar-se imediatamente do palácio, pois estava deposto do reinado, já que as chamas que botava pela boca tinham incendiado e destruído a cidade, para o desgosto de todos. Ditas essas palavras, secundadpo pelo pavor, Xangô saiu pelo fundo do palácio e foi seguindo pelos arrabaldes da cidade sozinho, a não ser Oiá, sua fiel amiga, que o aconselhou que era melhor ele se enforcar do que passar semelhante vergonha.

Para este fim, ela promoveu o meio imediatamente e ela também desapareceu deste mundo. Todas as pessoas que por ali passavam viam um cadáver, até que os amigos de Xangô deram-lhe o necessário fim. Daí, então, ninguém das pessoas de amizades de Xangô podia sequer respirar, pois era logo linchado numa praça pública.

Então, alguns seguidores de Xangô mandaram um representante à terra de Bariba buscar qualquer coisa de efeito admirável e que impusesse respeito a todos. Assim conseguiram arranjar um trabalho de Ossaim que botaram nas casas, começando, assim, a queimar a cidade inteira. Todos ficaram confusos e atemorizados, até que um dos partidários de Xangô anunciou que aquilo era castigo ao povo, por terem feito aquilo com Xangô. Que ele tinha subido aocáu e que agora fazia justiça para com os seus algozes.

Diante disto, todos imploraram misericórdia e os doze conselheiros do divino Xangô, seis para cada lado, constituíram-se em uma maçonaria, que é o conselho dos doze Mogbás, criado em defesa da causa que valoriza o nome de Xangô, que veio a ser o orixá mais aplaudido no território dos iorubás até os dias de hoje.

A abundante narração da história da vida de Xangô é tão empolgante no princípio como triste no fim. Não é preciso ventilar muitas idéias para tirar-se a conclusão precisa de que este Odu vindo neste caminho é tão perigoso e de tal maneira horripilante, mas que, mesmo assim sendo, não falte ânimo, pois, no final, o que temos são os dias gloriosos, qual o nome registrado para muitas gerações vindouras.
Assegura esta mesa que as máximas peripécias no começo da vida são como etapa necessária para se chegar à majestade e que todo aquele que colabora com sinceridade e constância há de ter o amparo misericordioso.

Significado segundo Iorubá
Vitória em todas as lutas, agonia e desassossego, mas sempre vencendo admiravelmente.

Orixás
Xangô e Yemanjá.


Aprenda a encontrar seu Odu, com Mona Okelecy:
Para falarmos sobre Odus, temos, antes, que saber como calculá-los para saber qual o Odu que rege o consulente. Para conhecer seus Odus, tome como ponto de partida a data do seu nascimento. Trace num papel quatro linhas horizontais cartadas no centro por uma linha vertical. Essa linha vertical vai separar os algarismos em duas colunas: uma à esquerda e outra à direita. Escreva na primeira linha horizontal, usando as duas colunas, o número do dia em que você nasceu. Se este número for menor que 10, coloque um zero na coluna da esquerda. Na segunda linha, escreva o número do mês ( de 1 a 12 ). Se esse número for menor que 10, coloque um zero na coluna da esquerda. Na terceira linha, sempre usando ambas as colunas, escreva os dois primeiros algarismos do ano em que você nasceu (19). Na quarta linha, usando as duas colunas, escreva os dois últimos algarismos do ano em que você nasceu. Some separadamente os algarismos de cada coluna. E sempre que o resultado ultrapassar 16, o número de odús básicos, reduza-os somando os algarismos.

A seguir, desenhe uma cruz e escreva nas pontas dos braços da cruz as palavras Testa, Fronte Direita, Nuca e Fronte Esquerda, seguindo a direção correspondente. Escreva o número correspondente à soma da coluna da direita no ponto referente à Testa, e o número correspondente à soma da coluna esquerda no ponto referente à nuca. Para encontrar o número correspondente à fronte direita, some os números já obtidos. Para encontrar o número correspondente à fronte esquerda, some os três números já obtidos até aqui. Se o número for maior que 10, reduza-o. Para encontrar o número correspondente ao seu Abi Odu, some os números correspondentes a sua data de nascimento.


*Trecho do livro do nobre Professor Agenor de Miranda, personalidade conceituada e respeitada em nosso meio, cujo texto de sua obra, "Caminhos de Odu", está sendo gentilmente cedido pela Editora Pallas.

 

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