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O CAMINHO ZEN: Sidharta treina com outro Mestre e decide sozinho resolver o dilema |
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MATÉRIAS ESPECIAIS |
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Sakyamuni, enquanto praticava como Mestre Bhargava, conseguiu através de intensa prática, atingir o estado de cessação do pensamento, mas reconhecendo que este estado também não era o caminho verdadeiro, acabou por abandona-lo. Sakyamuni Chegou a esta conclusão face esse tipo de controle mental - que era a ausência total de pensamentos - ser no final das contas mais uma criação mental, ou seja, ele acabou por compreender que não tinha chegado a lugar algum, e sabedor que se encontrava na estaca zero, pois ainda não tinha nem de perto conseguido entender, quiçá controlar a raiz primordial que controla a mente, partiu em busca de um novo mestre.
Após exaustiva busca, apresenta-se ao Mestre Aratakalama, que ensinava a prática da concentração que não era "sem pensamento", nem era com pensamento". Quando se diz que não era "sem pensamentos", "pensamento" neste contexto significa o pensar e os pensamentos enganadores da atividade mental comum. Quando se diz que não era "com pensamentos" quer dizer que mesmo atingindo o estágio do não pensar e os pensamentos enganadores comuns, a pessoa ainda é capaz de estar consciente de tudo. O Mestre acreditava que seu método era a culminância final da prática da introspeção meditativa, mas Sakyamuni após longos anos praticando esse método e, após ter chegado aos estágios mais elevados que alguém já havia conseguido chegar, compreendeu que, esse tipo de treinamento colocava a pessoa como presa das aflições sutis provocadas pela confusão de pensamentos e percepções. Deste modo, após compreender que infelizmente não havia dado nenhum passo em busca da resolução de suas dúvidas, partiu para continuar sua jornada rumo ao conhecimento supremo. Durante os seis anos em que viveu nas montanhas treinando com os mestres yoguis, ele também aproveitou para efetuar visitas a todos os homens famosos de que ouvia falar, mas nunca conseguiu encontrar nenhum mestre autêntico que realmente soubesse responder a todas as suas perguntas. Desse modo ele aprendera muitas técnicas e um diversidade de métodos para a realização do caminho da libertação, mas nenhum que lhe diminuísse o sofrimento, a angústia, a saudade da família, bem como todas as outras emoções que um homem sente.
Entretanto, durante todos esses anos seu pai, que havia enviado mensageiros aos quatro cantos do seu reino a fim de descobrir o paradeiro do seu amado filho, quando por fim o descobriu, enviou cinco dos mais bem treinados filhos de seus principais ministros para acompanhar o príncipe e, clandestinamente, ajuda-lo e protege-lo nas agruras da vida que ele levava no meio das montanhas. Esses cinco homens, escolhidos a dedo pelo Rei, acabaram se tornando seus primeiros e principais discípulos, os quais dão início ao primeiro movimento do giro da roda do dharma.
Nesta época, tendo Sakyamuni se entrevistado com várias praticantes famosos, sem contudo encontrar o caminho da suprema libertação, ele acabou se transformando numa lenda como um homem santo que busca o caminho, de modo que seu nome e o de suas façanhas (ter abandonado dois dos melhores mestres da época) acabou por chegar ao conhecimento do Rei Bimbisara, que foi em pessoa suplicar-lhe que retornasse à vida mundana e fosse com ele governar o seu país. Sakyamuni, polida e educadamente recusou o convite, pois o reinado não lhe proporcionou respostas as suas dúvidas, haja visto que ele mesmo era um príncipe por descendência. O Rei Bimbisara, percebendo que estava diante de um ser fenomenal propôs um acordo com Sakyamuni: "Quando você realizar o caminho, espero que venha ao meu reino ensina-lo a mim e a meus súditos"., Posteriormente, após ter conseguido a iluminação suprema, ele cumpre o prometido, retornando várias vezes a fim de ensinar sua doutrina da libertação que é boa no começo, boa no meio e boa no fim.
Depois do episódio com o Rei Bimbisara, Sakyamuni viajou até chegar às vizinhanças do rio Nairanjana, perto das montanhas nevadas, ao extremo sul da montanha Gajashirsha, onde ouvira falar que se encontravam várias congregações de ascetas. Sakyamuni, já havia praticado todas as técnicas ensinadas pelos maiores mestres da época, não tendo logrado o êxito que tanto almejava, de modo que somente lhe faltava praticar os exercícios ascéticos que através da mortificação da carne, imaginava-se alcançar a ascensão do espírito. Durante mais algum tempo, Sakyamuni, entregou-se de corpo e alma a esse novo treinamento. Praticava a meditação silenciosa e a contemplação, cultivava as austeridades mais extremas .Algumas vezes alimentava-se somente com uma semente de gergelim ou um grão de arroz no almoço. Outras vezes, sentava-se de pernas cruzadas por mais de um dia sem se levantar, nem comer. Naturalmente, depois de algum tempo, acabou por ficar tão magro que mais parecia um esqueleto ambulante. Seu cabelo, imundo crescia tão emaranhado que pássaros o confundiam com o mato e ali faziam seus ninhos. Sakyamuni foi ficando cada vez mais fraco, mais débil, e ficava sentado, meditando como se estivesse a beira da morte, como se na verdade, estivesse esperando que a morte viesse lhe buscar. Num certo dia, encontrava-se sentado quase que a beira da morte, quando ouviu um diálogo que acontecia num barco, que impulsionado por um barqueiro levava duas pessoas . Uma delas era um professor que ensinava ao seu aluno a tocar um instrumento de cordas. Dizia o professor: "A afinação correta requer o justo equilíbrio entre os dois opostos, ou seja, se você apertar demais as cordas arrebentam e se você deixar as cordas muito frouxas elas não conseguirão emitir nenhum som". Ao ouvir esse despretensioso monólogo entre um professor e um aluno, Sakyamuni, imediatamente compreendeu que também esse não era o caminho correto.
* Monge Budista Zen Getúlio Taigen |
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