BUDISMO:
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O Budismo baseia-se no conceito de que tudo é ilusório, transitório e portanto impermanente. A busca essencial consiste em se ultrapassar a ilusão rumo à perfeita consciência, que é o estado de Nirvana. É também conhecido como o "Caminho do meio", por afastar-se dos extremos, tais como escetismo de um lado e luxuosidade de outro. Além desses elementos a doutrina budista baseia-se também nas Quatro Nobres Verdades e na chamada Nobre Senda Óctupla.

Conta a tradição que Sidarta levava uma vida luxuosa, cheia de confortos e regalias, sem que nada lhe pudesse dar a idéia das agruras e vicissitudes da vida. Seu pai, o Rei Sudodhana, empenhava-se tanto em mantê-lo afastado dessas realidades, que proibiu-o de ultrapassar as muralhas do palácio, onde ele usufruía do luxo e da riqueza. Alimentos maravilhosos, contato somente com pessoas bonitas e alegres, belos e bem cuidados jardins e pomares, enfim, tudo aquilo que um ser humano pode desejar como agradável para os sentidos.

Após certos acontecimentos, o jovem Sidarta resolveu sair do palácio e aventurar-se pelas estradas e cercanias da cidade que seu pai governava. Conta a tradição, que num dado momento, ele viu um homem extremamente velho, enrugado, encurvado que caminhava com bastante dificuldade, apoiando-se sobre uma bengala. Aquilo o deixou horrorizado, porque ele nunca havia se dado conta de que as pessoas envelheciam e entravam em decadência física.

Continuando o passeio, o príncipe encontrou um outro homem que chamou sua atenção, desta vez não tão velho, mas com o corpo e o rosto inteiramente dilacerados por feridas causadas por algum tipo de doença terrível. Isso foi um novo choque. Sidarta não tinha consciência de que na vida todos caminham incessantemente para a morte.
No caminho de volta, ele se deparou com um peregrino (espécie de homem considerado santo na Índia - sadhu), que apesar de quase nu, e sem nada possuir, além de uma tigela para mendigar comida e um bastão, aquele homem parecia estar tranquilo, seu rosto irradiava paz, dignidade e contentamento.

Profundamente combalido e decepcionado com as cenas terríveis que presenciara em seu passeio e, assustado por não ter tido anterior conhecimento sobre tudo aquilo que presenciou, retornou ao palácio. Ali refletiu longamente e qualificou o que vira como as três marcas da impermanência (velhice, doença e morte). Entretanto, a lembrança do peregrino deu-lhe a certeza de que a única maneira de extinguir aquela angústia imensa que dele se apoderara era o abandono físico e mental daquela vida de confortos e acomodação material. Tomada essa decisão, assim ele fez, abandonou a casa paterna para tentar encontrar uma resposta para tanto sofrimento por que passam os seres.

Durante os seis anos seguintes, o ex-príncipe estudou com os maiores mestres da época todos os modos de espiritualidade conhecidos até então. Desde o estudo erudito das mais profundas leis espirituais, até a mortificação mais severa. Mas, nada disso o satisfez, não tinha encontrado ainda o lenitivo final para as angústias e sofrimentos humanos, fossem eles físicos ou mentais. Após ter percebido que ainda não fora inventado o remédio para aquele tipo de "doença", resolveu ele, por conta própria, tentar descobri-lo. Desta vez iria procurar a resposta dentro de sí, pois inutilmente a procurara fora e não a encontrara. Sentou-se debaixo de uma velha e imponente figueira, disposto a não mais se levantar até descobrir o fim do sofrimento.

Ali ficou durante 49 dias, em profunda e silenciosa meditação. Sidarta, então experimentou e ultrapassou todos os níveis de consciência, chegando até a suprema iluminação, o Nirvana. Neste momento, ele transformou-se no Buda, que significa "o supremo iluminado, totalmente consciente" . Contava ele com 35 anos de idade.

A partir deste momento, e até o dia de sua morte aos 80 anos, ele viajou por todo o noroeste da Índia, partilhando com um número crescente de discípulos as suas experiências e sua luz.

Logo as notícias chegaram a respeito de um homem santo, conhecido como
Sakyamuni, que lograra um grau de iluminação inigualável e tornara-se o
Budha e, agora ensinava uma doutrina de libertação. As pessoas comentavam que Ele havia convertido os três irmãos Kashyapa, que eram ascetas nas florestas de Uruvela; diziam que Ele foi ao país de Magadha e converteu o grande Sariputra e Maudgalyana, (anteriomente discípulos de Sanjaya, eminente pensador da época), junto com 250 de seus seguidores. Na capital de Rajagaha, o Rei e os principais magnatas converteram-se e tornaram-se seguidores do Budha.Um dia, correu um rumor de que o Budha numa certa época estaria visitando Senani.


O vilarejo de Senani estava excitado com a eminente visita do Budha.
Por fim chegou o grande dia. Sabendo que o grande sábio havia chegado,
Sujata, junto com sua serva Punna, foram ate o local onde estavam reunidas as pessoas a fim de escutarem o sermão do Budha. Abriram caminho para tentar chegar mais perto e a frente daquela congregação, e, sem olhar fizeram reverentemente uma mesura para o Budha. Quando Sujata levantou a cabeça,levou um grande susto, pois não era o homem santo a divindade da árvore, à quem oferecera alimentos, num amanhecer da lua cheia de Maio (Wesak)?

- Então não era o Deva da árvore, afinal, mas o príncipe asceta do clã dos Sákyas, que aceitou nossa oferenda! Ele bebeu, e depois disto atingiu a iluminação! Somos felizardas por termos feito tal oferenda para uma pessoa tão ilustre como ele.Sujata e Punna quase não puderam se conter de alegria, enquanto ouviam o sermão do Budha.

Punna por sua vez seguiu o exemplo da sua patroa. O Budha olhou para as duas, com carinho e compaixão, e fez sinal com a cabeça assentindo. Assim, Sujata tornou-se a primeira discípula leiga da comunidade Budista. Em casa, ela servia ao marido e à sua família com muita diligência, cuidava das necessidades de seus servos, e fazia o melhor que podia para manter a ordem da casa. Como resultado dos seus méritos, ela foi amada e respeitada não somente por seus familiares, mas também por todos aqueles com que ela fazia contatos.

(extraído da revista Dharma World, vol. 10)
Getúlio Taigen

 

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