BUDISMO
Enigmas Zen Budistas: histórias que levam à meditação
 
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Vamos a uma minúscula história Zen. Desfruta de certa fama por ser um koan, isto é, um enigma aparentemente sem solução, usado em certas Escolas Zen-budistas. Quem, em meditação, conseguir achar uma saída que o explique, pode atingir a Iluminação ou, se preferirem, atingirá o Vazio, a não-mente ou o estado búdico. O entendimento deverá surgir em um insight intuitivo, sem a intervenção da mente lógica a que estamos acostumados. Vamos a ela.

 Basô disse a um monge: "se eu o vir com um bastão, eu o darei a você. Se eu o vir sem ele, o tomarei de você".

À primeira vista, parece ser uma proposição absurda e sem sentido. Lembremo-nos, porém, que o Zen não é verbalizável, isto é, sua essência não pode ser apreendida por palavras. Estas são limitadas e não atingem, neste caso, nenhum objetivo ou solução. Sigamos adiante.

 Mestre Tozan estava pesando farinha. Um monge chegou ao depósito e aproximou-se dele, indagando: "Diga-me, o que é Buddha?". Tozan respondeu: "É isso aqui: 5 quilos de farinha".

Estamos agora perante a unicidade de todos os seres e objetos de que é composto o Universo. Para a doutrina da não-mente, intrínseca à maneira budista de ver as coisas, esta é uma contradição aparente e um contra-senso facilmente resolvível, desde que descartemos qualquer interpretação racionalista.

Finalizando, um caso delicioso e de imediata percepção:

 Dois monges, Tanzan e Ekido, passavam por uma rua lamacenta da cidade, quando encontraram uma linda moça em roupas de seda. Estava, porém, com medo de atravessar devido à lama imunda e escorregadia.
"Venha, moça!", disse Tanzan. E levantou-a em seus braços, levando-a rua abaixo.
Os dois monges não se falaram até o anoitecer. Quando voltavam para o monastério, Ekido, contrafeito, não agüentou mais ficar calado:
"Monges não devem andar junto a moças - disse ele - e, principalmente, com moças tão lindas como aquela! Por que você fez isto?"
"Meu querido amigo - respondeu Tanzan - Eu deixei aquela jovem lá atrás, na cidade. É você quem a está carregando ainda!".



*André Luiz Medeiros é astrônomo, estudioso do Budismo, arquiteto e músico. Autor do livro "Budismo de A a Zen", editado pelo Bemzen.




 

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