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Alimentação: Hábitos alimentares saudáveis evitam ansiedade e dependência química |
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Você já viu alguém maluco, trêmulo, insone, incapaz de pensar, memorizar, aprender, absolutamente fora da sua normalidade funcional, porque sente uma falta enorme de alimentos vegetais, tipo laranjas, bananas, mangas, alface, tomate, beterraba, cereais integrais, castanhas, ou feijões?
Pode pensar à vontade, que não vai lembrar-se de ninguém, exatamente na situação descrita acima. Por isso, preciso responder algumas perguntas que você tem prontinhas:
Por que os vegetais não criam dependência química? Por que apenas esses produtos que todo mundo gosta, a ponto de não imaginar a vida sem eles, criam dependência acentuada cada vez maior à medida que são utilizados? Os doces feitos com o açúcar branco, os refrigerantes principalmente à base de cola, as frituras, o café, o chocolate, as carnes, os estimu-lantes usados como tempero, tipo mostarda, cat-chup, vinagre, pimenta, picles...
Por que são proibidos pelo médico quando você adoece? Por que certos produtos conceituados claramente como nocivos, são indicados como energéticos por profissionais de saúde, com a recomendação de que seu uso seja moderado? É preciso esclarecer em primeiro lugar, que nossos órgãos e sistemas são constituídos por cerca de 100 trilhões de células. Elas funcionam com eficiência, mediante substâncias nutritivas extraídas do solo pelos vegetais que comemos e bebemos, além da água, que é um mineral.
Estas substâncias nutritivas- vitaminas, sais minerais, açúcares, gorduras, proteínas, água e o oxigênio que respiramos- precisam ser regularmente repostas, porque com exceção da água, são queimadas nos departamentos de nossas células.
A eficiência da queima dos nutrientes em suas células, resulta em um coeficiente de energia -pouca ou muita, menos ou mais -que por sua vez, definirá um tipo de sensação determinante em seu comportamento: a saciedade, ou a ansiedade.
Quando as substâncias nutritivas ingeridas são adequadas às suas necessidades das suas células -ainda que as emoções influam juntamente com outros fatores na qualidade das transformações químicas das células - elas realizam ações químicas favoráveis e enviam mensagens de bem estar ao hipotálamo do cérebro, uma glândula responsável pela quantidade de fome e o senso de saciedade durante as refeições.
Elas dizem: ok, ok, muito obrigado pelas vitaminas, sais minerais, açúcares saudáveis, gorduras e proteínas de primeira qualidade. Legal, eles são exatamente o que preciso. Continue fornecendo esses "amigos dos meus departamentos", que vou trabalhar muito bem, vou atender as necessidades e funções dos seus órgãos e sistemas. Se você fizer isto sempre, estas mensagens de bem estar acompanharão você todos os dias, o dia inteiro.
Daí, quando sentir-se saciado, satisfeito, comer parecerá estranho, desnecessário. Ou mesmo que por gulodice prove algo, a tendência será de não existir aquela vontade maluca de ingerir tudo e um pouco mais, como fazem as pessoas ansiosas. No máximo, apenas prova e agradece, evitando excessos e agressões às células.
Mas o que tem a ver a inexistência de dependência química pelos alimentos vegetais, com a opção de estar satisfeito ou ansioso?
Os produtos supérfluos citados, que são nocivos e proibidos quando adoece pelo fato de não possuírem nutrientes naturais, vem acompanhados de inúmeros aditivos químicos agressores das células: adoçantes, conservantes, aromatizantes, corantes, antioxidantes, estabilizantes, flavorizantes, espessantes, sequestrantes, e outros antes.
Tem mais: neles, há determinadas substâncias denominadas alcalóides, com terminação geralmente em "ina" como são os casos da teobromina do chocolate e da cafeína do café, que são responsáveis pela sensação de prazer no hipotálamo do cérebro e por isso, pelo estabelecimento da dependência química cada vez maior, à medida que são utilizados.
Preste a máxima atenção, agora, nos vegetais: frutas, legumes, verduras, feijões, cereais integrais, frutos e sementes oleaginosos, além da água que é um mineral- não existem alcalóides. Ou seja, não existe o mal, o que é um benefício extraordinário. Além disto, ainda contém os nutrientes, que representam o bem para as suas células. Por isso, ao alimentar-se exclusivamente deles, ninguém adquire dependência química.
Já os alcalóides, por ser carentes de nutrientes, em conjunto com outras substâncias químicas, criam a sensação ilusória e temporária de prazer e estímulo, para em seguida, prostrar, cansar, e exigir nova ingestão dos estimulantes. A repetição e a freqüência cada vez mais intensas, estabelecerão a dependência.
E pior: este processo em curso no organismo da maioria, abre as portas para uma possível dependência química de substâncias tóxicas legais ou mesmo ilegais, tipo fumo, álcool, maconha, cocaína, crack, e muitas outras.
Já o uso dos alimentos vegetais em condições adequadas às necessidades da células, evita o estabelecimento de dependência, também pela incompatibilidade de sensações. Ao provar a droga, o adolescente com hábitos alimentares saudáveis tem reações desagradáveis, porque o que é natural, não combina com o que é estimulante. Reações desagradáveis evitam repetições, e a possível e temida dependência química.
E mais: quem já é dependente e inicia a prática de hábitos alimentares saudáveis, começa a desintoxicar su- as células e naturalizar progressivamente o paladar. Assim, diminui progressivamente a intensidade do desejo de uso da substância nociva, e seu abandono passa a ser uma questão apenas de tempo, sem que ocorra a síndrome de abstinência.
Faz toda a diferença evitar a síndrome de abstinência no processo de abandono de qualquer substância química. Ela costuma comprometer a normalidade da rotina diária, pela ansiedade e demais sensações decorrentes da ausência da substância química de que se é dependente.
Quanto aos profissionais que recomendam estimulantes para certas patologias ou ganho de energia, e mesmo que seja por pouco tempo, talvez falte a esses profissionais uma avaliação mais abrangente dos riscos envolvidos, mais conhecimento técnico, além da chamada visão holística recomendada pela Organização Mundial de Saúde.
Esse conceito moderno, avalia sempre o ser humano em sua totalidade, e nunca em partes soltas ou separadas. Daí, qualquer recomendação parte do pressuposto de que tudo no organismo interage com tudo, e por isso, é necessário que quaisquer reações químicas sejam potencialmente favoráveis às células.
O ideal, é que toda substância indicada seja para uso regular, sem a necessidade de controle de quantidade, através de remédios moderadores de apetite, tabelas de calorias, regimes ou dietas. Seu organismo possui meios eficientes para evitar excessos quando certas regrinhas saudáveis são praticadas rotineiramente.
Na Universidade de Loma Linda, Califórnia, EUA, cientistas alimentaram durante noventa dias dois grupos de ratos com tipos deferentes de cardápio. Para o grupo A, foi servida a comida típica americana, rica em gordura animal, carnes, hambúrgueres à vontade, leite, queijo, ovos, muito doce, bebidas à base de cola, quase nenhuma fibra, nada de frutas, legumes e verduras. Para o grupo B, foram oferecidos frutas, legumes e verduras, cereais integrais, oleaginosas no lugar das proteínas e gorduras animais, água em vez de refrigeran-tes. Findo o período, ambos os grupos tiveram diante de si vasilhas iguais, porém com líquidos diferentes: água e álcool. Os ratos do grupo A, com a alimentação que grande parte dos brasileiros está habituada, pre-feriu álcool, a água não conseguiu seduzi-los. Os ratos do grupo B, escolheram apenas a água.
"Para vencer o mal ou distanciar-se dele, é de suprema importância usar o bem. Em vez de reclamar da escuridão, é essencial acender a luz".
*Augusto Fajardo especialista em Ortomolecular, da Sociedade Brasileira de Nutrição
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