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Revisão sobre este assunto

Gramática - Literatura

Gramática

01. Assinale a alternativa em que o termo mais tem o mesmo sentido e a mesma função presentes em:

“Meus pés se desprenderam do chão, me senti transportado para o alto e quando recuperei a visão estava dentro de um domo de metal, diante de uma espécie de formiga branca e gigantesca cujos olhos pareciam perturbadoramente humanos. E eles me examinavam com interesse e algo mais (...)”

Luis Fernando Veríssimo

a. “No ensino fundamental está o cerne de tudo o mais que sai errado em nossa Educação.”
Claudio de Moura Castro – Veja
b. “Praça, igreja, ruas estreitas, mais adiante pequenos sítios.”
Julieta de Godoy Ladeira
c. “(...) na sinuca eu trazia uma coisa comigo. Mais jogasse o parceirinho, mais eu jogaria.”
João Antonio
d. “Carrinho de rodas de ferro (carrinho de rolimã, como a gente dizia), pelada todas as tardes, papai me levava no caminhão... E eu mais Duda íamos nadar todos os dias na lagoa da estrada de ferro. Todos os dias, eu mais Duda.”
João Antonio
e. “Perguntou meu nome. Respondi. Absurdamente, fiz questão de dizer que o ‘Luis’ era com ‘s’. Ele quis saber mais coisas a meu respeito.”
Luis Fernando Veríssimo
02. Observe o texto:

“O nome do cachorro era Zig; se em toda a cidade era conhecido como Zig Braga, isto apenas mostra como se identificou com o espírito da casa em que nasceu, viveu, mordeu, latiu, abanou o rabo e morreu.”

Rubem Braga

O trecho destacado encontra-se reescrito em:

I. Apenas isto mostra como se identificou com o espírito da casa em que nasceu.
II. Isto mostra como se identificou apenas com o espírito da casa em que nasceu.
III. Isto mostra como se identificou com o espírito da casa em que apenas nasceu.

O sentido da frase original está mantido:

a. nas alternativas I e III
b. nas alternativas II, III
c. nas alternativas I e II
d. em nenhuma das alternativas
e. em todas as alternativas
03. O pleonasmo sintático presente em

“(...) escorrega os dedos suados no joystick e ela vence. Ela muitas vezes vence, a máquina.”
Duílio Gomes

também ocorre em:

a. “(...) a velhíssima história da castelã que (...) recebe ela, na sua câmara, com os braços nus, por noite de maio e de lua, o pajem de anelados cabelos...”
Eça de Queirós

b. “Havia também uma professora que lia o seu livro e me esquecia abobalhado à frente da lousa. Depois... O bilhete e a surra. É. Bilhete para minha mãe me bater, castigo, surra, surra.”
João Antonio

c.
“Eu estava a escutar e ouvia; ao relento de maresia e salsugem, a estória principiara.”
Guimarães Rosa
d.
“Até mesmo os investidores mais distraídos já devem ter percebido que, para ganhar dinheiro agora, terão de começar a correr mais riscos. O problema é que há riscos e riscos.”
Gazeta Mercantil
e.
“Pai meu me levou pra o missionário. Batizou, batizou. Nome de Tonico; bonito, será?”
Guimarães Rosa
04. As vírgulas separam termos de mesma função sintática em:
a. “Ofegante, Samuel entrou no quarto e fechou a porta à chave.”
Moacyr Scliar
b.
“Atenção, pressione o botão on off. Agora, a tecla 1 do teclado alfa-numérico.”
Duílio Gomes
c.
“Abro os olhos: Isa, bandeja, torrada, banana, café, leite, manteiga.”
Rubem Fonseca
d.
“Só motoristas que ouviam rádio baixinho, cabeça deitada no volante.”
João Antônio
e.
“Com a decadência da família, professora no grupo escolar (...) “ Dalton Trevisan

Literatura

01. “Nas conversas das mulheres no pino do dia o assunto eram sempre as peraltagens do herói. As mulheres se riam muito simpatizadas, falando que ‘espinho que pinica, de pequeno já traz ponta’, e numa pajelança Rei Nagô fez discurso a avisou que o herói era inteligente.”

A partir do trecho de Macunaíma e de seus conhecimentos da obra, é possível afirmar que:

a. a simpatia que as mulheres sentiam por Macunaíma contrapõe-se à rejeição que o herói sofre dos irmãos, da mãe e das entidades mágicas e divinas que aparecem na narrativa.
b. O emprego de uma frase popular resume a crença de que as peraltagens de Macunaíma deviam-se à sua pouca idade e tenderiam a desaparecer.
c. As estripulias do herói reforçam seu caráter ingênuo e inconseqüente, que só se transformará a partir da perda da pedra sagrada, a muiraquitã.
d. A inteligência de Macunaíma, prevista pelo pajé, será a arma mais eficaz empregada pelo herói para vencer seus oponentes.
e. A associação de culturas diferentes, representada também por meio dos traços físicos de Macunaíma, está sintetizada no trecho pela expressão “pajelança Rei Nagô”.
02. Não constitui um recurso de estilo empregado com destaque em Macunaíma:
a. longas enumerações não pontuadas de nomes de plantas, animais, lugares, pessoas.
b. o flashback, que interrompe o fluxo da narrativa e explica acontecimentos anteriores que envolvem o herói Macunaíma.
c. construções típicas da fala, como a dupla negação e as repetições enfáticas.
d. grafia deturpada de algumas palavras e desrespeito a certas normas gramaticais.
e. epítetos que, acoplados constantemente aos nomes das personagens, identificam-lhes características marcantes.
03. Pode-se apontar como possível propósito de Macunaíma:
a. revelar a fragilidade da cultura nacional, que se ressente da impossibilidade de se associarem as contribuições de cada uma as raças que compõem o povo brasileiro.
b. criticar o descompromisso dos artistas nacionais com a missão de elevar o padrão cultural do povo brasileiro, ainda totalmente imerso na cultura popular.
c. recriminar a índole preguiçosa e inconseqüente das camadas mais simples da população, que não demonstram força de caráter e tentam tirar vantagens pessoais de qualquer circunstância.
d. expor o caráter ambivalente do brasileiro, resultante do cruzamento às vezes desarmônico e cômico de traços contrastantes e inconciliáveis.
e. glorificar as manifestações da cultura popular de origem ameríndia e africana como verdadeiro e legítimo emblema de identidade nacional.

04. Aponte a alternativa incorreta sobre o capítulo “Carta pras icamiabas”, de Macunaíma.

a. A carta é redigida em um estilo aparentemente elevado, verdadeira caricatura da linguagem culta – e muitas vezes sem sentido – empregada pela elite.
b. O capítulo revela não só o pedantismo de Macunaíma, mas igualmente critica a tendência de a cultura erudita ser empregada como forma de poder, manipulação e escamoteamento da realidade.
c. Macunaíma ainda não compreende a cidade grande, nem mesmo a linguagem que seus habitantes empregam. Por isso, seu relato sobre São Paulo na “Carta pras icamiabas” é deturpado e incoerente.
d. Sendo as índias Amazonas autênticas representantes da cultura “selvagem”, é ilógico que se utilize o texto escrito como meio de comunicação entre o Imperador e suas súditas, conforme faz Macunaíma.
e. No texto da “Carta”, há diversos elementos paródicos, como a referência aos versos de Os lusíadas (“Nem cinco sóis eram passados”) e a linguagem descritiva que imita o estilo dos cronistas cioloniais (“Andam elas vestidas de rutilantes jóias e panos finíssimos, que lhes acentuam o donaire do porte, e mal cobrem as graças (...)”)


Gabarito