A carreira acadêmica
nas universidades é destino natural de grande parte dos que cursam
a faculdade de Letras, mas os ensinos Fundamental e Médio também
absorvem muitos recém-formados. Atuar no magistério, é
bom lembrar, requer grandes doses de idealismo e dedicação.
Não é segredo para ninguém que professor ganha mal.
Recentes greves que
pipocaram por todo o país, atingindo sobretudo as universidades
estaduais e federais, demonstraram a insatisfação com os
baixos salários. Por isso, quem escolhe a carreira nem de longe
pensa em recompensa financeira. Seu foco de interesse está no mundo
dos livros e das idéias.
O ensino e o estudo
de línguas estrangeiras, o planejamento das aulas, a correção
de provas fazem parte de uma rotina exaustiva, que inclui ainda o aprofundamento
na literatura de diversos países como forma de conhecer outros
povos e suas culturas. "A leitura dos grandes clássicos e
dos autores contemporâneos é a parte mais prazerosa da nossa
atividade", conta Nelson Rodrigues Filho, diretor do curso de Letras
da Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro. "Estudar a vida inteira
é obrigatório, mas quem gosta mesmo da profissão
não se aborrece. Na faculdade, procuramos estimular a prática
do estudo independente, que favorece a autonomia intelectual".
O currículo
mínimo inclui disciplinas como língua e literatura portuguesa,
literatura brasileira, cultura brasileira, língua estrangeira moderna
(inglês, francês, espanhol e alemão) ou morta (latim
e grego) e a literatura correspondente à língua escolhida,
entre outras. O MEC, porém, permite que as faculdades tenham autonomia
para reformular seus currículos com a introdução
de novas disciplinas - semiótica, teoria do texto e prática
do texto são matérias recém-adotadas por vários
cursos de graduação.
A revisão dos
currículos contempla a necessidade de uma reciclagem geral do ensino
de Letras e dos seus professores. Além de profundo conhecimento
do português, gosto pela leitura e facilidade para o aprendizado
de línguas, o profissional de Letras deve procurar aumentar sua
bagagem cultural e estar sempre atualizado.
O cargo máximo
da carreira é o de supervisor de ensino. Se fizer licenciatura,
ele terá direito a lecionar português e a língua em
que se especializou. Aulas particulares também estão entre
as atividades preferidas de quem se forma em Letras. Nesse caso, desenvolver
um método próprio de ensino é meio caminho andado
para se firmar como profissional autônomo. E como ele também
tem domínio de pelo menos uma língua estrangeira, está
habilitado a dar aulas em escolas de idiomas.
A área do bacharel
não se restringe ao magistério. Seu raio de atuação,
na verdade, é bem mais abrangente. Ele poderá elaborar projetos
de ensino para escolas, desenvolver linhas de pesquisa em editoras de
livros didáticos, traduzir e verter textos, fazer revisão,
escrever verbetes em dicionários, fazer crítica literária
e ainda trabalhar em áreas informais, como centros culturais, planejando
eventos, feiras de livros e palestras.
Duração
média do curso: quatro anos (para as licenciaturas de 1° grau,
mínimo de um ano e meio)