Muda o perfil dos profissionais de comunicação corporativa
As empresas hoje estão tratando a comunicação
corporativa de forma mais estratégica, o que implica em mudanças
no perfil de quem atua na área. Em 35,4% delas, já
existe uma diretoria para cuidar da comunicação interna
e muitos dos executivos vêm ocupando cadeira no board. Há
também uma redução do percentual de profissionais
formados em jornalismo no comando da área nas organizações
no Brasil.
Em 2002, 54% eram jornalistas e agora eles não
ultrapassam os 35%. Já o número de profissionais de
relações públicas cresceu, passando de 15,4%
em 2005 para 22% em 2007. Os dados são de estudo realizado
pelo Databerje, instituto de pesquisa da Associação
Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), onde
foram ouvidas 164 empresas, que juntas faturaram no ano de 2006
cerca de US$ 360 bilhões ou 33,7% do PIB brasileiro.
De acordo com o levantamento, as maiores equipes
- aquelas que contam com mais de seis funcionários - estão
nas companhias de serviços, 35%. Embora metade delas não
tenha um plano integrado de comunicação. "É
curioso ver que existe uma diversidade de formação,
com antropólogos e filósofos", afirma Suzel Figueiredo,
diretora do Databerje.
Outro ponto de destaque é que em 53% dos
casos, as diretorias e gerências de comunicação
interna ficam sob a responsabilidade da comunicação
e relações públicas. Em 40% das companhias,
quem cuida é a área recursos humanos. No entanto,
em 3% das organizações ouvidas, o setor de comunicação
passou a se reportar às áreas como assuntos corporativos/institucionais
e até mesmo à presidência, 2,4%.
"No passado, era comum o RH controlar a comunicação
com os funcionários", diz Suzel. Mas isso mudou e a
área de comunicação corporativa ganhou mais
poder". Tanto que aumentou em 6,9% o índice de empresas
que possuem equipe interna, se comparado a 2005 (quando foi feita
a última pesquisa) .
Em relação aos investimentos feitos
pelas companhias na área de comunicação, se
comparado a 2005, aumentou o percentual de empresas que investem
até R$ 500 mil reais por ano na área, pulando de 28,2%
para 35,4% este ano. "Os investimentos são tímidos
para uma organização que emprega 5 mil funcionários",
diz Suzel. "Ou seja, ela aplica apenas R$ 100 per capita por
ano".
Vale ressaltar que 20,7% dos entrevistados não
sabiam qual era o investimento atual da empresa. Desses, quase metade
ocupa cargos de analista/especialista e estão concentrados
nas áreas de recursos humanos.
A pesquisa aponta ainda que o mercado de comunicação
corporativa é composto, predominantemente, por mulheres,
com 76,2%. Embora os homens sejam maioria nos cargos de diretoria.
Mesmo com a área tendo crescido e se estruturado nos últimos
anos, 65% dos profissionais investigados acreditam que o trabalho
de comunicação interna não atende completamente
às necessidades de informação dos funcionários.
(Valor Econômico
– 05/11/07)
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